Sexta-feira, 2 de outubro de 2026  ·  Notícias das 92 cidades do Rio de Janeiro

Esposa de Rodrigo Bacellar relata condições na prisão e pede dignidade; leia a nota

Duas pessoas posam lado a lado em um ambiente com colunas claras.

Manoella Duarte, esposa do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, relata em nota condições que considera inadequadas durante a prisão do marido e pede água, ventilação e atendimento médico. No texto, ela afirma que não solicita liberdade nem tratamento privilegiado, mas respeito à dignidade dele.

Segundo a declaração, Manoella viu Bacellar depois de dois meses sem visitá-lo e observou marcas de algemas e inflamação em um dos dedos do pé. Ela também reproduz relatos do marido sobre dificuldades para tomar banho e dormir e afirma que há restrições à entrada de medicamentos.

As afirmações a seguir são de Manoella Duarte e não foram verificadas de forma independente pelo Poder em Foco. A imagem da nota encaminhada à redação não traz resposta da administração penitenciária. O texto é reproduzido como manifestação da esposa, não como comprovação das condições relatadas ou conclusão sobre o processo judicial.

Leia a íntegra da nota

Transcrição do texto visível na imagem encaminhada à redação, identificada com o perfil manoella.duarte.

Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim. Mas na última quinta-feira, depois de dois meses sem poder ver o meu marido, o encontrei em condições que não me permitem mais permanecer calada. Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem. Estava com o dedo do pé inflamado e me contou que, diante da dor, chegou a colocar o pé dentro da comida quente para tentar aliviar.

Por mais que a unidade disponha de atendimento médico, há restrições específicas, entre elas, a entrada dos medicamentos prescritos pelos médicos que o acompanham. Isso afeta diretamente a sua saúde física e psicológica. Não é possível ao Rodrigo usufruir nem mesmo do banho de sol, pois os horários são divididos entre facções e milícias e meu marido não faz e nunca fez parte de nenhuma. Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá.

Venho aqui falar sobre dignidade. A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presídio.

Meu marido é um preso provisório. Não foi julgado. Não foi condenado. Mas, acima de tudo, ele é um ser humano. Nenhum ser humano deveria estar nas condições em que eu o encontrei na última quinta-feira.

Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade.

Peço o mínimo: Água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele. Exatamente o que a legislação brasileira assegura a qualquer pessoa presa neste país. A qualquer uma.

Sou esposa, mãe e avó. Passo as noites em claro pensando se ele vai aguentar. Mas ele é forte. Eu sei que vai. Tenho fé em Deus. Tenho fé na Justiça. E seguirei aqui, ao lado dele, todos os dias. Mas não posso me calar vendo ele ser tratado como se não fosse gente. Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano.

Imagem da nota

Imagem intitulada Nota Oficial, com texto atribuído ao perfil manoella.duarte sobre as condições de custódia de Rodrigo Bacellar.
Nota atribuída a Manoella Duarte, em imagem encaminhada à redação. Reprodução.

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