Sábado, 3 de outubro de 2026  ·  Notícias das 92 cidades do Rio de Janeiro

Debate ao Senado no Rio tem ausências, dobradinhas e ataques entre candidatos

Candidatos ao Senado pelo Rio participam de debate promovido pela OAB-RJ e pelo jornal O Dia

Seis candidatos ao Senado pelo Rio participaram nesta terça-feira (1º) do primeiro debate da disputa de 2026, promovido pela OAB-RJ e pelo jornal O Dia, na sede da seccional, no Centro do Rio. O encontro reuniu Carlos Portinho (PL), Monica Benicio (PSOL), Marcelo Crivella (Republicanos), Carlos Jordy (PL), Waguinho (Republicanos) e Marcos Dias (Podemos). Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) foram convidados, mas não compareceram.

Mediado pelo jornalista Sidney Rezende, o debate foi dividido em quatro blocos e abordou temas como segurança pública, violência contra a mulher, educação, mobilidade urbana, habitação, trabalho por aplicativo, apostas online, redes sociais e royalties do petróleo.

Segurança abriu o debate

A primeira pergunta foi comum a todos os participantes e tratou do avanço do crime organizado no estado. Portinho defendeu endurecimento penal, citou o projeto que criminaliza barricadas e voltou a criticar a progressão de pena. Monica Benicio afirmou que o enfrentamento ao crime precisa atingir as estruturas financeiras e políticas das organizações criminosas. Crivella concentrou a resposta no reforço das fronteiras para combater a entrada de armas e munições.

Waguinho responsabilizou o governo estadual pela segurança pública e disse que o Senado deve atuar para impedir relações entre políticos e grupos criminosos. Marcos Dias, que relatou ter perdido um irmão vítima de violência, defendeu integração entre os poderes e medidas de endurecimento penal.

Ausências viraram alvo

A ausência de Benedita e Pedro Paulo marcou parte do tom político do encontro. Reportagens de O Globo, O Dia e outros veículos registraram que os candidatos do PL, Carlos Jordy e Carlos Portinho, atuaram em dobradinha e concentraram críticas nos dois adversários ausentes.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Portinho, em bloco sobre violência contra a mulher, perguntou a Jordy se “homem que bate em mulher merece a confiança do voto”. A fala foi interpretada como referência a Pedro Paulo. O deputado do PSD foi acusado em 2015 de agressão pela ex-mulher; o caso foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal após manifestação da Procuradoria-Geral da República. Jordy respondeu defendendo penas mais duras para agressores e medidas de proteção às mulheres.

Monica Benicio criticou o fato de o tema violência contra a mulher ter sido tratado sem que ela, única mulher presente no debate, fosse chamada diretamente pelos adversários para responder.

Bets, redes sociais e royalties

As apostas online também entraram no centro da discussão. Waguinho questionou o uso de recursos de programas sociais em plataformas de apostas. Portinho afirmou que votou contra a legalização das bets e defendeu restrições à publicidade, reconhecimento facial e punição a quem usar plataformas ilegais.

Na área de energia, Jordy defendeu a permanência dos royalties do petróleo no Rio de Janeiro e disse que os valores compensam impactos sofridos pelos estados produtores. Monica Benicio afirmou que os recursos devem permanecer no estado, mas defendeu uma distribuição voltada à redução de desigualdades.

O debate também teve troca entre Monica e Crivella sobre a gestão do ex-prefeito do Rio e a regulação das redes sociais. Monica cobrou responsabilidade das plataformas no combate à desinformação e crimes digitais. Crivella concordou com a necessidade de regulação, mas disse que as medidas não podem virar censura.

Dobradinhas nas considerações finais

Nas falas finais, candidatos reforçaram estratégias de voto duplo para as duas vagas do Senado. Monica pediu votos para ela e Benedita. Jordy e Portinho defenderam a dobradinha do PL. Waguinho pediu apoio conjunto com Crivella pelo Republicanos. Marcos Dias buscou se apresentar ao eleitor conservador como opção para uma das vagas.

O encontro teve transmissão pelos canais da OAB-RJ e de O Dia no YouTube. Segundo os organizadores, a audiência passou de 25 mil acessos simultâneos; O Dia informou mais de 29 mil pessoas assistindo ao vivo.

Com informações de O Dia, O Globo, Agenda do Poder, O Fluminense e demais veículos que acompanharam o debate.


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